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Do Jardim aos drinks


Do jardim para as taças, as flores são ingredientes que aparecem em criações de drinques autênticas e ousadas. Por ser uma especiaria tão delicada, aguça a curiosidade de quem aposta em novas experiências na hora de pedir um coquetel e ganha espaço nas criações de mixologistas que buscam novas tendências, selecionando misturas em destilados que exploraram mais os aromas e sabores das pétalas.

Flores das espécies hibisco, capuchinha, lavanda e rosas são as que mais aparecem na composição e na decoração dos coquetéis, por serem comestíveis e possuírem notas ricas em sabores e aromas emblemáticos. A flor de açafrão também ganha destaque em drinques, deixando-os mais refrescantes.

Pétalas ao redor do mundo  Caracterizada pelo marcante uso de especiarias e temperos, a culinária indiana é uma das que se destaca pelo uso de flores, como na famosa Sharbat, uma bebida que também é conhecida como xarope de rosas.


O xarope ou água de rosas, destilado proveniente das pétalas das flores, também é um ingrediente coringa em outros lugares da Península Árabe, sendo muito utilizado em alguns pratos e na criação de bebidas. Por lá, tradicionalmente o xarope de rosas é servido puro e simboliza um drinque de boas-vindas.

A tendência também tem aparecido na cena da mixologia americana. Street Bars conceituados dos Estados Unidos vêm cedendo espaço para criações de coquetéis com flores, como os bares Slowly Shirley, em Nova York e o Leyenda, no Brooklyn.

Florescendo em solos brasileiros No Brasil, país rico em diversidade na fauna e na flora, as delicadas especiarias não poderiam ficar de fora das alquimias de mixologistas, a exemplo do drinque White Roses, idealizado pelo barman Wiliam Barão, do Bar Sobe, no Rio de Janeiro. A bebida é uma releitura do gin tônica, que leva pétalas de rosas brancas, gin alemão, tônica e sementes de zimbro, além de outros ingredientes.


" Vendo flores comestíveis usadas em pratos, decidi criar uma versão do gin tônica com pétalas de rosas e toques de canela e cravo. A rosa proporciona um aroma suave na composição do drinque”, conta o bartender. O drinque Flor de Vênus, inspirado na Deusa do Amor e da Beleza na Mitologia Romana, bebida de criação do barman Vitor Barros, do bar Empório Jardim, também no Rio, leva a flor de hibisco na mistura, o que, segundo o bartender, “é para ser um agrado” à deusa. O principal ingrediente da bebida enfeitada com Flor Capuchinha é o Chá Jardim, uma infusão de flor de hibiscos e maçã desidratada elaborada na casa, e vodka com infusão de fava de baunilha.

Delicadeza e suavidade Para o bartender Miguel Paes, do Carverna, bar localizado em Botafogo. As flores remetem à delicadeza e suavidade. Por isso, ele criou o drinque Mrs. Dolloway, feito com xarope de rosas orgânicas preparado artesanalmente. Vermute tinto, vermute seco, vodka, chá de hibisco e uma pétala de rosa vermelha que enfeita o coquetel.

“Sempre gostei de ler. Escolhi esse nome por ser uma clara referência à mais famosa obra de Virgínia Woolf. Ao mesmo tempo que gostaria de transmitir a mesma sensibilidade e delicadeza da obra literária no coquetel”, explica.

Em São Paulo, a mixologista Talita Simões criou dois drinques que levam flores em sua composição. Para a carta do restaurante Side, localizado no Itaim Bibi. A bartender conta que criou o drinque Chinatown.  Mesclando os principais ingredientes, que são as lichias em calda. Contrastando com o sabor do saquê e do licor elaborado com flores de sabugueiro. Nos quais, na sua opinião, os sabores se complementam no paladar. A bebida é finalizada com uma flor comestível que flutua na taça. E se você está pensando em criar um drinque florido, a mixologista, que está há 18 anos na profissão, dá uma dica na hora de se utilizar flores nos coquetéis. “Prefira sempre as flores secas. Comestíveis ou em forma líquida, para não ter sabores indesejáveis, como o de terra por exemplo”. Indica a bartender.


Texto por Amanda Ivanov retirado da Revista Sociedade da Mesa.