Buscar

A curiosa origem do Moscow Mule


Tudo começou em Paris no final dos anos 30, depois da marca de vodka Smirnoff quase entrar em falência – sim, vocês leram certo! Apesar da origem russa, a fábrica da Smirnoff ficava na França nessa época. Foi logo depois, em 1941, que John G. Martin, um alto executivo da área de bebidas, ao saber da notícia, fez uma oferta para tirar a marca do buraco e acertou sua compra por módicos 14 mil dólares.

Ele prontamente foi tido como louco! Pudera, já que naquela época tudo que os patriotas americanos menos queriam era tomar uma bebida de origem russa (por motivos óbvios). Ele ficou alguns anos com esse elefante branco nas mãos, até que um dia teve uma brilhante ideia enquanto visitava o bar de seu amigo Jack Morgan, o famoso Cock’n Bull, em Los Angeles (adivinhem o nome da rua?).

Jack era dono de uma cervejaria homônima ao bar, e estava com um estoque encalhado de Ginger Beer, pois na época os americanos tomavam muita ginger ale e não eram muito chegados na cerveja de gengibre. “Minha vodka e sua cerveja estão encalhadas? Pois vamos misturar as duas e criar um coquetel!”, pensou John. Foi com a ajuda do chefe de bar do Cock’n Bull, Eric Felton, que saiu a primeira versão do Moscow Mule, adicionando um toque de limão aos dois ingredientes principais.

Por coincidências do destino, a namorada de Jack Morgan, Ozaline Schmidt, que tinha herdado uma fábrica de produtos de cobre, estava presente no dia e resolveu entrar junto no negócio, oferecendo suas canecas.

Mas o mais interessante ainda está por vir! John Martin tinha ótimo relacionamento com outras grandes empresas americanas e tinha acabado de receber de presente um gadget moderníssimo para a época: uma máquina fotográfica que imprimia fotos na hora – a famosa Polaroid!

Foi aí que a mente brilhante de John teve a grande sacada! Ele começou a ir nos bares da cidade oferecendo a seguinte proposta aos bartenders: ele os ensinaria a fazer um coquetel novo, que utilizava vodka (dele), cerveja de gengibre (do amigo Jack) e limão, e que deveria obrigatoriamente ser servido numa caneca de cobre (da namorada de Jack).


Ao terminar de ensinar a receita, ele prontamente pedia para tirar uma foto do bartender com a caneca na mão e o mesmo. Ao ver a foto sair de dentro da máquina como num passe de mágica, logicamente ficava deslumbrado. Era nesse momento que John fazia a proposta: “Eu lhe dou essa foto agora, para você mostrar para seus amigos e familiares, desde que eu possa ficar com uma pra mim”. E é claro que eles aceitavam com um belo sorriso no rosto!

Com essas fotos em mãos John percorreu todos os bares da cidade, oferecendo fazer o mesmo. Foi assim que ele conseguiu popularizar o Moscow Mule, associando a imagem da caneca de cobre ao coquetel e, consequentemente, aos ingredientes que eles vendiam dentro dele. Ok, vocês devem estar pensando nesse momento: “mas e a espuminha?”.

Pois bem, a nossa querida “espuminha” do Moscow Mule foi criada há poucos anos pelo mixologista brasileiro Marcelo Serrano, então chefe de bar do Brasserie des Arts, renomado restaurante de São Paulo. Em vez de usar a cerveja de gengibre, ainda rara no Brasil, ele criou uma espuma de gengibre caseira, servida em sifão de chantilly. Essa nova receita fez tanto sucesso que o coquetel em pouco tempo se tornou o mais pedido e alguns clientes inclusive levavam as canecas de cobre como souvenirs para casa.

A receita de Marcelo, que hoje serve de base para a maioria dos Moscow Mules brasileiros, é um pouco mais doce do que a original, portanto não se assuste ao pedir um MM fora do Brasil. O gosto pode ser um tanto quanto diferente. A propósito, alguns dizem que a origem do nome Moscow Mule vem do simples fato de que depois do terceiro ou quarto drink, você deve tomar cuidado com o coice da mula!

OBS.: Matéria retirada do Portal Gosto